domingo, 5 de agosto de 2012

goldfrapp - lovely head

http://www.youtube.com/watch?v=rO9KgkopQq0 


It starts in my belly
Then up to my heart
Into my mouth
I can't keep it shut

Do you recognize the smell?
Is that how you tell?
Us apart

I fool myself to sleep and dream
Nobody's here, no one but me

So cool, you're hardly there
Why can't this be killing you?

Frankenstein would want your mind
Your lovely head, your lovely head
Your lovely head !

quinta-feira, 21 de junho de 2012

G. Steiner, Errata

Um clássico lê-se de lápis na mão. (34)

Qualquer experiência modifica a consciência. (34)

A existência pessoal é um processo, encontra-se em prepétua mudança. (35)

A indiferença é uma enigmática área cinzenta. (35)

O 'desígnio palpável' da filosofia é o esclarecimento, uma limpeza sistemática da arrecadação da mente. (36)

Nunca é apenas meia-noite ou meio-dia. (49)

Quando nos esquecemos de para onde é que foi o 'esquecido', de onde é que ele regressa? (167)

É fascinante e instrutivo estar próximo de um homem ou de uma mulher que não pensa em part-time, cujos modos de presença corpórea 'encarnam' o pensamento. (170)



G. Steiner, Errata

quarta-feira, 20 de junho de 2012

G.Steiner, Errata, p.30

O contexto que subjaz a qualquer frase de, por exemplo, Madame Bovary de Flaubert, é o do parágrafo em que está inclusa, do capítulo em que se encontra, de todo o romance. É também o do estado da língua francesa no tempo e lugar de Flaubert, o da história da sociedade francesa, e o das ideologias, da política, das associações coloquiais e da gama de referências implícitas e explícitas, que se inscrevem, seja através da subversão ou da ironia, nas palavras, no enunciado dessa frase específica. (...)
O contexto, sem o qual não pode haver nem significado nem compreensão, é o mundo. (...)
O significado está tão intimamente associado à circunstância, às realidades que percepcionamos (posto que conjecturais e transitórias) quanto o nosso prórpio corpo.


G.Steiner, Errata, p.30

sábado, 7 de janeiro de 2012

paris je t'aime - são sempre os cegos que nos guiam!

Give just 7 min to genius Tom Tykwer, to tell the story that others need hours to express...


Francine... Je m'en souviens exactement
C'était le 15 mai
Le printemps tardait, la pluie menaçait
Et tu criais

Et tu étais admise bien sûr
Tu as quitté Boston emménager à Paris
Un petit appartement dans la rue du Faubourg Saint-Denis
Je t'ai montré notre quartier, mes bars, mon école
Je t'ai présenté à mes amis, mes parents
J'ai écouté les textes que tu répétais
Tes chantes, tes espoirs, tes désirs, ta musique
Tu écoutais la mienne
Mon italien, mon allemand, mes bribes de russe
Je t'ai donné un walkman, tu m'as offert un oreiller
Et un jour, tu m'as embrassé

Le temps passait, le temps filait
Et tout paraissait si facile, si simple, libre
Si nouveau et si unique
On allait au cinéma
On allait danser, faire des courses
On riait, tu pleurais
On nageait, on fumait, on se rasait
De temps à autre tu criais sans aucune raison
Ou avec raison parfois
Oui, avec raison parfois

Je t'accompagnais au conservatoire
Je révisais mes examens
J'écoutais tes exercices de chant
Tes espoirs, tes désirs, ta musique
Tu écoutais la mienne
Nous étions proches, si proches, toujours plus proches
Nous allions au cinéma, nous allions nager
Rions ensemble, tu criais
Avec une raison parfois, et parfois sans
Le temps passait, le temps filait

Je t'accompagnais au conservatoire
Je révisais mes examens
Tu m'écutais parler italien, allemand, russe, français
Je révisais mes examens
Tu criais, parfois avec raison
Le temps passait sans raison
Tu criais sans raison
Je révisais mes examens
Mes examens, mes examens, mes examens
Le temps passait
Tu criais, tu criais, tu criais

[Paris Je T'aime - Faubourg Saint-Denis]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Nuno Júdice, Jogo

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

Nuno Júdice, in "A Fonte da Vida"

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bertolt Brecht - Perguntas a Um Homem Bom

Avança: ouvimos
dizer que és um homem bom.
Não te deixas comprar, mas o raio
que incendeia a casa, também não
pode ser comprado.

Manténs a tua palavra.
Mas que palavra disseste?
És honesto, dás a tua opinião.
Mas que opinião?
És corajoso.
Mas contra quem?
És sábio.
Mas para quem?
Não tens em conta os teus interesses pessoais.
Que interesses consideras, então?
És um bom amigo.
Mas serás também um bom amigo de gente boa?

Agora escuta: sabemos
que és nosso inimigo. Por isso
vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos
e boas qualidades
vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te
com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te
com uma boa pá na boa terra.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nuno Júdice, A Vida

A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;

a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.


Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"