quarta-feira, 4 de junho de 2014

Envelhecer - Nietzsche

“Nuns envelhece primeiro o coração, noutros a inteligência.”

Friederich Nietzsche, no livro Assim falou Zaratustra.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Lembrar ou esquecer - Miguel Esteves Cardoso

"O que custa mais não é tanto lembrar — é não esquecer. O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há nada para fazer?"


[Miguel Esteves Cardoso]

Os Diários de Sylvia Plath

"(...) Antes de entregar meu corpo eu devo entregar os meus pensamentos, minha mente, meus sonhos. E você não estava tendo nada disso.

Há muita dor nesse jogo de procurar por um parceiro, de testar, tentar. E você percebe, de repente, que você se esqueceu que era um jogo e desaba em lágrimas."

Trecho de carta de Sylvia Plath para Eddie Cohen, em Os Diários de Sylvia Plath.

As dores do mundo - Schopenhauer

Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação; o temor, mas não a segurança. Sentimos o desejo e o anelo, como sentimos a fome e a sede; mas apenas satisfeitos, tudo acaba, assim como o bocado que, uma vez engolido, deixa de existir para a nossa sensação.

Em As Dores do Mundo, de Arthur Schopenhauer

Coração de Ferro - Saramagp

" Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

José Saramago

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Gostas dele? - Carlos Ruiz Zafón

"Diz-me que estou enganado e vou-me embora. Gostas dele?

Olhámo-nos por um longo espaço de tempo em silêncio.

- Não sei. – murmurou por fim. – Não sei.

- Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre. – disse eu."

Carlos Ruiz Zafón

domingo, 21 de outubro de 2012

Jean-Paul Sartre - Nunca se escreve para si mesmo

O escritor não prevê nem conjectura: projecta. Acontece por vezes que espera por si mesmo, que espera pela inspiração, como se diz. Mas não se espera por si mesmo como se espera pelos outros; se hesita, sabe que o futuro não está feito, que é ele próprio que o vai fazer, e, se não sabe ainda o que acontecerá ao herói, isto quer simplesmente dizer que não pensou nisso, que não decidiu nada; então, o futuro é uma página branca, ao passo que o futuro do leitor são as duzentas páginas sobrecarregadas de palavras que o separam do fim.

Assim, o escritor só encontra por toda a parte o seu saber, a sua vontade, os seus projectos, em resumo, ele mesmo; atinge apenas a sua própria subjectividade; o objecto que cria está fora de alcance; não o cria para ele. Se relê o que escreveu, já é demasiado tarde; a sua frase nunca será a seus olhos exactamente uma coisa. Vai até aos limites do subjectivo, mas sem o transpor; aprecia o efeito dum traço, duma máxima, dum adjectivo bem colocado; mas é o efeito que produzirão nos outros; pode avaliá-lo, mas não senti-lo.Proust nunca descobriu a homossexualidade de Charlus, uma vez que a decidiu antes de ter começado o livro. E se a obra adquire um dia para o autor o aspecto de objectividade, é porque os anos passaram, porque a esqueceu, porque já não entra nela, e seria, sem dúvida, incapaz de a escrever. Aconteceu isto com Rousseau ao reler o Contrato Social no fim da vida.

Não é portanto verdade que se escreva para si mesmo: seria o pior fracasso; ao projectar as emoções no papel, a custo se conseguiria dar-lhes um prolongamento langoroso. O acto criador é apenas um momento incompleto e abstracto da produção duma obra; se o autor existisse sozinho, poderia escrever tanto quanto quisesse; nem a obra nem o objecto veriam o dia, e seria preciso que pousasse a caneta ou que desesperasse.
Mas a operação de escrever implica a de ler como seu correlativo dialético, e estes dois actos conexos precisam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor e do leitor que fará surgir o objecto concreto e imaginário que é a obra do espírito. Só há arte para os outros e pelos outros.

Jean-Paul Sartre, in 'Situações II'