Sentimos a dor, mas não a ausência da dor;
sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação; o temor, mas
não a segurança. Sentimos o desejo e o anelo, como sentimos a fome e a
sede; mas apenas satisfeitos, tudo acaba, assim como o bocado que, uma
vez engolido, deixa de existir para a nossa sensação.
Em As Dores do Mundo, de Arthur Schopenhauer
terça-feira, 3 de junho de 2014
Coração de Ferro - Saramagp
" Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
José Saramago
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
José Saramago
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Gostas dele? - Carlos Ruiz Zafón
"Diz-me que estou enganado e vou-me embora. Gostas dele?
Olhámo-nos por um longo espaço de tempo em silêncio.
- Não sei. – murmurou por fim. – Não sei.
- Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre. – disse eu."
Carlos Ruiz Zafón
Olhámo-nos por um longo espaço de tempo em silêncio.
- Não sei. – murmurou por fim. – Não sei.
- Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre. – disse eu."
Carlos Ruiz Zafón
domingo, 21 de outubro de 2012
Jean-Paul Sartre - Nunca se escreve para si mesmo
O escritor não prevê nem conjectura: projecta.
Acontece por vezes que espera por si mesmo, que espera pela inspiração,
como se diz. Mas não se espera por si mesmo como se espera pelos
outros; se hesita, sabe que o futuro não está feito, que é ele próprio
que o vai fazer, e, se não sabe ainda o que acontecerá ao herói, isto
quer simplesmente dizer que não pensou nisso, que não decidiu nada;
então, o futuro é uma página branca, ao passo que o futuro do leitor são
as duzentas páginas sobrecarregadas de palavras que o separam do fim.
Assim, o escritor só encontra por toda a parte o seu saber, a sua vontade, os seus projectos, em resumo, ele mesmo; atinge apenas a sua própria subjectividade; o objecto que cria está fora de alcance; não o cria para ele. Se relê o que escreveu, já é demasiado tarde; a sua frase nunca será a seus olhos exactamente uma coisa. Vai até aos limites do subjectivo, mas sem o transpor; aprecia o efeito dum traço, duma máxima, dum adjectivo bem colocado; mas é o efeito que produzirão nos outros; pode avaliá-lo, mas não senti-lo.Proust nunca descobriu a homossexualidade de Charlus, uma vez que a decidiu antes de ter começado o livro. E se a obra adquire um dia para o autor o aspecto de objectividade, é porque os anos passaram, porque a esqueceu, porque já não entra nela, e seria, sem dúvida, incapaz de a escrever. Aconteceu isto com Rousseau ao reler o Contrato Social no fim da vida.
Não é portanto verdade que se escreva para si mesmo: seria o pior fracasso; ao projectar as emoções no papel, a custo se conseguiria dar-lhes um prolongamento langoroso. O acto criador é apenas um momento incompleto e abstracto da produção duma obra; se o autor existisse sozinho, poderia escrever tanto quanto quisesse; nem a obra nem o objecto veriam o dia, e seria preciso que pousasse a caneta ou que desesperasse.
Mas a operação de escrever implica a de ler como seu correlativo dialético, e estes dois actos conexos precisam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor e do leitor que fará surgir o objecto concreto e imaginário que é a obra do espírito. Só há arte para os outros e pelos outros.
Jean-Paul Sartre, in 'Situações II'
Assim, o escritor só encontra por toda a parte o seu saber, a sua vontade, os seus projectos, em resumo, ele mesmo; atinge apenas a sua própria subjectividade; o objecto que cria está fora de alcance; não o cria para ele. Se relê o que escreveu, já é demasiado tarde; a sua frase nunca será a seus olhos exactamente uma coisa. Vai até aos limites do subjectivo, mas sem o transpor; aprecia o efeito dum traço, duma máxima, dum adjectivo bem colocado; mas é o efeito que produzirão nos outros; pode avaliá-lo, mas não senti-lo.Proust nunca descobriu a homossexualidade de Charlus, uma vez que a decidiu antes de ter começado o livro. E se a obra adquire um dia para o autor o aspecto de objectividade, é porque os anos passaram, porque a esqueceu, porque já não entra nela, e seria, sem dúvida, incapaz de a escrever. Aconteceu isto com Rousseau ao reler o Contrato Social no fim da vida.
Não é portanto verdade que se escreva para si mesmo: seria o pior fracasso; ao projectar as emoções no papel, a custo se conseguiria dar-lhes um prolongamento langoroso. O acto criador é apenas um momento incompleto e abstracto da produção duma obra; se o autor existisse sozinho, poderia escrever tanto quanto quisesse; nem a obra nem o objecto veriam o dia, e seria preciso que pousasse a caneta ou que desesperasse.
Mas a operação de escrever implica a de ler como seu correlativo dialético, e estes dois actos conexos precisam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor e do leitor que fará surgir o objecto concreto e imaginário que é a obra do espírito. Só há arte para os outros e pelos outros.
Jean-Paul Sartre, in 'Situações II'
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Sándor Márai - A capacidade de criar
Se a vida tem mesmo algum
sentido, é só pela consciência de termos capacidade de trabalhar. O
trabalho do escritor, do compositor, do artista independe da idade, das
condições sociais... O criador espiritual é o único homem que leva para a
velhice o sentido da vida, a possibilidade de criar. Já o cientista, se
não tem laboratório e cátedra, fica estéril.
Sándor Márai, in 'Diário'
Sándor Márai, in 'Diário'
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Milan Kundera - As Perguntas Verdadeiramente Importantes
As perguntas
verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular - e
apenas essas. Só as perguntas mais ingénuas são realmente perguntas
importantes. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma
pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não
se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas
para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades
humanas e traçam as fronteiras da nossa existência.
Milan Kundera, in "A Insustentável Leveza do Ser"
Milan Kundera, in "A Insustentável Leveza do Ser"
domingo, 5 de agosto de 2012
goldfrapp - lovely head
http://www.youtube.com/watch?v=rO9KgkopQq0
It starts in my belly
Then up to my heart
Into my mouth
I can't keep it shut
Do you recognize the smell?
Is that how you tell?
Us apart
I fool myself to sleep and dream
Nobody's here, no one but me
So cool, you're hardly there
Why can't this be killing you?
Frankenstein would want your mind
Your lovely head, your lovely head
Your lovely head !
It starts in my belly
Then up to my heart
Into my mouth
I can't keep it shut
Do you recognize the smell?
Is that how you tell?
Us apart
I fool myself to sleep and dream
Nobody's here, no one but me
So cool, you're hardly there
Why can't this be killing you?
Frankenstein would want your mind
Your lovely head, your lovely head
Your lovely head !
Subscrever:
Mensagens (Atom)