"Na declaração dos direitos do homem esqueceram-se de incluir o direito a contradizer-se."
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
just kids - nascidos à 2ª feira .
' ... hoje era segunda-feira; eu nascera numa segunda feira. era um bom dia para chegar a nova iorque. ninguém me esperava. toda a gente me aguardava. '
pedro paixão - a rapariga errada
' sim, estou um bocadinho apaixonada, ou muito apaixonada, ou terrivelmente apaixonada. isso não sei. só se sabe depois. depois de tudo acabar. mesmo o mais belo amor. o futuro tem nome de morte. '
Baudelaire, La voix.
"Eu rio-me nos funerais e choro nas festas
e encontro um gosto suave no vinho mais amargo;
com frequência tomo os factos por mentiras
e, de olhos postos no céu, caio em buracos.
Mas a voz consola-me e diz-me: «Guarda os teus sonhos;
os sábios não os têm tão belos como os loucos.»
Baudelaire,
La voix.
a resposta de Proust à iminência de um cataclismo !
(...)
Julgo que se recaísse sobre nós uma ameaça de morte, como referiu, a vida nos pareceria subitamente maravilhosa. Imagine quantos projectos, viagens, ligações amorosas, estudos, ela - a nossa vida - esconde de nós, tornados invisíveis pela nossa preguiça que, certa da existência de um futuro, os adia incessantemente.
Porém, se tudo isto estivesse na iminência de se tornar impossível para sempre, quão maravilhoso voltaria a parecer! (Ah! se o cataclismo não ocorrer desta vez, não sentiremos falta de visitar as novas galerias do Louvre, de nos atirarmos aos pés da menina X, de fazer uma viagem à Índia...)
O cataclismo não acontece e nós nada fazemos porque estamos de novo no centro da vida normal, onde a negligência adormece o desejo. E, porém, não deveríamos precisar do cataclismo para amarmos a vida hoje. Deveria ser suficiente pensar que somos humanos e que a morte pode chegar esta noite.
Marcel Proust
L'intransigeant, verão de 1922
Baudelaire (a melancolia de Paris)
«Um olhar experimentado nunca se engana. Nesses traços rígidos e abatidos, nesses olhos cavos e ternos, ou brilhantes dos derradeiros clarões da luta, nessas rugas numerosas e profundas, nesses passos tão lentos e tão bruscos, decifro imediatamente as inúmeras lendas do amor traído, da dedicação ignorada, dos esforços não recompensados, da fome e do frio humildemente, silenciosamente suportados.»
Charles Baudelaire, “A Melancolia (Spleen) de Paris”, Lx., Rel. D’Água, 2007, p. 41
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